sem atrito não há lapidação
Não há nada
que controle 
as arritmias
de um amor.

Não há nada
que controle
a saudade
além do pavor.

# Mentiras

  To cansado 

De mentiras

E histórias bobas

Meninas muito novas

Ou de conversas tolas


Faz um certo tempo

Que minto assim


Faz um certo tempo

Que minto pra mim


To cansado 

De mentiras

E histórias bobas

Meninas muito novas

Ou de conversas tolas


Faz um certo tempo

Que minto assim


Faz um certo tempo

Que minto pra mim


As paredes tem ouvidos

Mas não vão falar de ti

Não é porque nunca escutaram

Tudo de bom que eu senti


As paredes tem ouvidos

Mas não vão falar de ti

Não é porque nunca escutaram

Tudo de bom que eu senti


As paredes tem ouvidos

Mas não vão falar de ti




# Campo Minado

A solidão
Faz do meu chão
Campo minado.

Fumaça do cigarro
Açúcar no café
Pra ver se você volta

Pra ver você dançando

Na ponta do pé

Vamos bailar
Vamos deitar
pra ver se tudo volta
ao normal

A solução
Faz do meu chão
Puro concreto

Fumaça do café
Cravos no cigarro
Pra ver se vou voltar

Pra ver se vou sorrir

Contra a maré

Vamos vaiar
Vamos gritar
Pra ver se tudo volta
ao normal

Vamos lutar
Vamos vencer
pra ver se tudo volta
ao normal

Vamos bailar
Vamos deitar
Pra ver se tudo volta
Ao normal


# Escócia que vive em mim

 Já se passou praticamente um mês desde que a infantaria correu até os soldados inimigos.

As espadas estavam tingidas de azul.

No campo só havia isso, e mais nada.

Mesmo que a cavalaria pudesse ter avançado antes, estávamos em completa desvantagem.

Faltava coragem.

Mas mesmo que os campos estivessem com diversas bandeiras hasteadas, não havia mais nenhuma batalha que devesse ser traçada. 

Já havia se passado um mês, desde que a infantaria correu, sedentos de sangue, até vocês.

# Efêmeros provérbios da noite

 Cá entre nós, nunca fui bom em escrever. Talvez houvessem barreiras por onde passava, talvez devesse apenas continuar no mesmo local.

Tudo o que imaginava sobre o destino mudou da noite para o dia, já era de se esperar que o destino seria traiçoeiro mais uma vez comigo. São planos que sempre vão escorrer como areia entre os dedos.

Talvez devesse me apreciar mais, como uma boa garrafa de vinho seco, assim como os cardiologistas recomendam. Talvez devesse trocar realmente os hábitos ruins pelos bons para o meu próprio bem. Mas hábitos ruins se tornam hábitos da mesma forma. Assim como amar.

É curioso como o tempo corre durante uma noite acordada, e como a tarde passa despercebida. Trocar a noite pelo dia nem sempre é um bom sinônimo.

Aquela que guarda os segredos da mente é como este que deveras um dia nos regenerar.

Tiquetaqueando os segundos mais eternos e efêmeros da minha vida.

Como um vagão de trem na chegada da estação.

Que ora espera chegada, outrora, partida.

# Dilúvio

Como essa fumaça corre pesada diante dos nossos olhos.
O ar arrasta a escuridão sobre nossas cabeças.
Trazendo consigo também a purificação.

Há sinais que devemos perceber,
mas não podemos prever completamente tudo.
Logo as largas gotas começam a nos molhar.

Plumas para uns
Granizos para outros.

Dança para eles.
Dança para mim.

# Ser vivo

 Chegou a hora. Ora ou outra chegaria.

É como a chegada de um vagão de trem na estação, a despedida ou a recepção.

É reencarnação e ao mesmo tempo desapego. Uma arte sem explicação.

O ser vivo, sendo vivo, em pele e osso ou a flor da pele.

Queimando-o sempre que toca o chão. 

Nossos pés calejados, nossas mãos macias.

Carícias...

Malícias.

Coisas da imaginação.

# Outono

 Já faz alguns anos que penso em voltar a escrever. Anos que passaram despercebidos ou talvez nem tanto assim. Anos que passaram rápidos, a anos luz de mim.

Faz anos que ainda penso em escrever. Talvez ditar coisas que façam sentido, ou apenas regar girassóis com as mesmas. Mas talvez os campos estejam amarelos. Talvez estejam servindo para alimentar os maiores outonos da minha vida.